Pubblicazione Scientifica dottoressa Nadia Aprea
ANÁLISE COMPARATIVA DA DRENAGEM LINFÁTICA
MANUAL E MASSAGEM CLÁSSICA ESTÉTICA PARA A
REDUÇÃO DO EDEMA EM MEMBROS INFERIORES
Comparative analysis of manual lymphatic drainage versus modeling massage for lower limb edema reduction
Rogério Eduardo Tacani1, María José Miranda Salazar (1), Stephany Luanna Queiroga Farias1 Maria Fernanda Tinoco Hernández (2), Daniela Ibarra Vega (3), Manuel Alejandro Camarena Angel (4), Maria de Los Angeles Arias (5), Joana Carolina Santicchio Amaral (6), Aprea Nadia (7), Rodrigo Marcel Valentim da Silva (8), Patrícia Froes Meyer (9).
(1) Docente da Pós-graduação Internacional em Fisioterapia Dermatofuncional, pela Faculdade Inspirar Campus Borba Gato, São Paulo – rtacani@uol.com.br
(2) Acadêmico da Pós-graduação Internacional em Fisioterapia Dermatofuncional, pela Faculdade Inspirar Campus Borba Gato, São Paulo
(3) Acadêmico da Pós-graduação Internacional em Fisioterapia Dermatofuncional, pela Faculdade Inspirar Campus Borba Gato, São Paulo – anielaibv22@gmail.com
(4) Acadêmico da Pós-graduação Internacional em Fisioterapia Dermatofuncional, pela Faculdade Inspirar Campus Borba Gato, São Paulo – camarenaangel@gmail.com
(5) Acadêmico da Pós-graduação Internacional em Fisioterapia Dermatofuncional, pela Faculdade Inspirar Campus Borba Gato, São Paulo – esteticajoanaamaral@yahoo.com.br
(6) Acadêmico da Pós-graduação Internacional em Fisioterapia Dermatofuncional, pela Faculdade Inspirar Campus Borba Gato, São Paulo. ariasmariangel@gmail.com
(7) Acadêmico da Pós-graduação Internacional em Fisioterapia Dermatofuncional, pela Faculdade Inspirar Campus Borba Gato, São Paulo- fisiomnia.aprea@gmail.com
(8) Acadêmico da Pós-graduação Internacional em Fisioterapia Dermatofuncional, pela Faculdade Inspirar Campus Borba Gato, São Paulo- rodrigomarcelvalentim@gmail.com
(9) Coordenadora da Pós-graduação Internacional em Fisioterapia Dermatofuncional, pela Faculdade Inspirar Campus Borba Gato, São Paulo- Patrícia.froesmeyer@gmail.com
Autor Correspondente:
Patrícia.froesmeyer@gmail.com
RESUMO
Introdução: O edema dos membros inferiores, é definido como o aumento do líquido intersticial que excede a capacidade de drenagem linfática fisiológica, se acumulando principalmente nos tecidos subcutâneos, levando à expansão do volume nas extremidades inferiores. Pode estar presente em situações patológicas e não patológicas, inclusive em indivíduos normais, conforme a postura laboral prevalente no exercício da profissão. Apesar de serem conhecidos alguns dos efeitos da drenagem linfática manual e massagem clássica estética, poucos dados são encontrados na literatura comparando as duas opções terapêuticas na redução do edema em membros inferiores, utilizando avaliações objetivas. Portanto, este estudo visa analisar a segurança e comparar a eficácia da drenagem linfática manual versus a massagem clássica estética para a redução do edema em membros inferiores. Metodologia:
Trata-se de um estudo ensaio clínico com amostra de 40 participantes que apresentavam queixa de edema em membros inferiores. Foram utilizados métodos de avaliação como a perimetria, bioimpedância por espectroscopia e questionários para a avaliação das voluntárias. Para o protocolo de intervenção, as voluntárias foram divididas igualmente em dois grupos. O G1 foi submetido à técnica da drenagem linfática manual, enquanto o G2, recebeu o tratamento com a técnica da massagem clássica estética. As voluntárias receberam apenas uma sessão de tratamento, e foram avaliadas antes e após a intervenção, com a repetição de todos os exames citados e fotos para análise dos resultados. Resultados: O presente estudo demonstrou que não existem diferenças significativas na redução do edema comparando a drenagem linfática manual e massagem clássica estética em relação a perimetria e bioimpedância. Na análise dos questionários sobre a sensação dos membros inferiores, foi percebido que 67 % das voluntárias que realizaram drenagem linfática relataram sentir as pernas mais leves, enquanto 33 % das que realizaram massagem clássica estética relataram sentir as pernas mais leves. Na análise dos questionários de reações adversas não foi observado alterações. Na análise de relato de roupas mais folgadas após o procedimento, pode-se observar que 33 % dos voluntários do grupo drenagem relataram ter roupas folgadas e o grupo massagem clássica estética cerca de 67 %. Conclusão: O presente estudo demonstrou que ambos os tratamentos são seguros, e em uma análise imediata pós procedimento o G1 teve maior redução do sintoma sensação de peso e o G2 maior redução na sensação de roupas folgadas. No entanto, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos na avaliação por perimetria.
Palavras-chaves: edema; drenagem linfática; massagem clássica estética.
ABSTRACT
Introduction: Lower limb edema is defined as an increase in interstitial fluid that exceeds the physiological lymphatic drainage capacity, accumulating mainly in subcutaneous tissues and leading to volume expansion in the lower extremities. It can occur in both pathological and non-pathological situations, including in healthy individuals, depending on the prevalent working posture in their profession. Although some effects of manual lymphatic drainage and classical aesthetic massage are known, few data are available in the literature comparing these two therapeutic options in reducing lower limb edema using objective assessments. The-refore, this study aims to analyze the safety and compare the efficacy of manual lymphatic drainage versus classical aesthetic massage in reducing lower limb edema. Methodology: This is a clinical trial study with a sample of 40 participants who reported lower limb edema. Assessment methods included perimetry, spectroscopy bioimpedance, and questionnaires for evaluating the volunteers. For the intervention protocol, the volunteers were equally divided into two groups. G1 underwent manual lymphatic drainage, while G2 received classical aesthetic massage. The volunteers received only one treatment session and were evaluated be-fore and after the intervention, with all mentioned assessments and photographs repeated for result analysis. Results: The present study demonstrated no significant differences in edema reduction between manual lymphatic drainage and classical aesthetic massage concerning pe-rimetry and bioimpedance. In the questionnaire analysis regarding the sensation of the lower limbs, 67% of volunteers who underwent lymphatic drainage reported feeling lighter legs, while 33% of those who received classical aesthetic massage reported feeling lighter legs. No adverse reactions were observed in the questionnaire analysis. In the analysis of reports of looser clothing after the procedure, it was observed that 33% of the lymphatic drainage group reported looser clothing, and about 67% of the classical aesthetic massage group reported looser clothing. Conclusion: The present study demonstrated that both treatments are safe. In an immediate post-procedure analysis, G1 had a greater reduction in the symptom of heaviness, while G2 had a greater reduction in the sensation of looser clothing. However, no statistically significant differences were found between the groups in the perimetry assessment.
Keywords: edema; lymphatic drainage; classical aesthetic massage.
INTRODUÇÃO
O edema dos membros inferiores, é definido como o aumento do líquido intersticial que excede a capacidade de drenagem linfática fisiológica, se acumulando principalmente nos tecidos subcutâneos, levando à expansão do volume nas extremidades inferiores (1).
Uni ou bilateral, pode ser causado por múltiplas etiologias, locais e ou sistêmicas, incluindo desde disfunção (leve ou grave) das válvulas venosas, trombose venosa profunda (TVP), insuficiência linfática, infecção, traumas, cirurgias, hipertensão pulmonar, gravidez, cirrose, doença renal, diversos medicamentos, doenças cardíacas congestivas e outras condições de saúde, o que exige um adequado diagnóstico clínico, em especial na presença de uma ou mais destas situações patológicas. As características do edema podem diferir dependendo da causa, duração e tratamentos associados. Com base na causa subjacente, existem três grandes categorias que podem ser usadas para caracterizar o inchaço dos membros inferiores: edema, linfedema e lipedema (2), (3), (4).
Porém, os edemas podem estar presentes em ocasiões não necessariamente patológicas, tais como no período pré-menstrual, podendo afetar 92% das mulheres,4 ou ainda estar presentes em indivíduos normais, durante ou ao final da jornada de trabalho, devido à interferência deletéria da pressão gravitacional, inclusive ser mais intenso e frequente conforme a postura laboral prevalente no exercício da profissão (5).
Quaisquer que sejam as causas cabe ao fisioterapeuta utilizar seu arsenal terapêutico com técnicas eficazes e resolutivas, além da obrigação legal de proteger a população e prezar por métodos e técnicas com segurança e eficácia asseguradas por evidências científicas (6).
As técnicas descongestivas, de terapia compressiva e exercícios miolinfocinéticos ou de ativação das bombas impulsoaspirativas apresentam papel primordial no tratamento e controle dos edemas (7), (8).
Enquanto por um lado se observa uma baixa adesão ao uso de meias elásticas e outras terapias compressivas9, por outro lado, observa-se uma grande busca por parte das pacientes, por técnicas de massageme de drenagem linfática manual que possam reduzir os sintomas de inchaço, peso e ainda melhorar a condição estética corporal, mesmo que temporariamente. (10), (11).
A drenagem linfática manual é um dos recursos de grande destaque no tratamento de edemas, linfedemas e de algumas condições inestéticas. Durante a sua execução deve-se respeitar a anatomia e a fisiologia do sistema linfático, além da integridade dos tecidos superficiais, devendo ser executada de forma suave, lenta e rítmica, sem provocar dor, danos ou lesões aos tecidos do paciente (12).
Na prática clínica, têm-se observado que muitos profissionais aplicam outras técnicas de massagem para a finalidade de reduzir adiposidades (e as medidas corporais). Algumas destas técnicas que usam manobras vigorosas e lesivas, já foram apontadas como inadequadas e iatrogênicas (13).
Entretanto, quando executadas adequadamente, a massagem clássica estética (composta por manobras de deslizamentos e amassamentos não agressivos) pode auxiliar na redução de medidas e edemas, estimular a circulação sangüínea, o metabolismo e as respostas neuromusculares, harmonizar os contornos corporais e minimizar a ansiedade e a depressão, melhorar a imagem corporal, contribuindo para o aumento da auto-estima e da qualidade de vida (14).
Apesar de serem conhecidos alguns dos efeitos da drenagem linfática manual e massagem clássica estética, poucos dados são encontrados na literatura comparando as duas opções terapêuticas na redução do edema em membros inferiores, utilizando avaliações objetivas. Portanto, este estudo visa analisar a segurança e comparar a eficácia da drenagem linfática manual versus a massagem clássica estética para a redução do edema em membros inferiores.
CONCLUSÃO
CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA E AMOSTRA
Trata-se de um estudo ensaio clínico. Foi realizada uma seleção iniciada após a aprovação da pesquisa pelo Comitê de Ética da Universidade Potiguar/RN, com parecer número 6.202.170.
A amostra foi composta por 40 mulheres, escolhidas de forma não probabilística na cidade de São Paulo. Os participantes passaram pela avaliação para a seleção de acordo com as categorias de inclusão e exclusão. Nos critérios de inclusão os participantes deveriam apresentar faixa etária entre 30 e 50 anos de idade, pesando entre 50 e 85 Kg, apresentando queixa de edema em membros inferiores e que fossem sedentárias. Os critérios de exclusão foram aplicados a todos os participantes que apresentassem contraindicação para os métodos, como infecções agudas, tumores malignos, distúrbios trombóticos, insuficiência cardíaca
grave e insuficiência renal grave, também aqueles não concordaram ou não apresentaram interesse em participar do projeto, não se adaptem aos horários e procedimentos da pesquisa.
MÉTODOS E PROCEDIMENTOS
As participantes, após a seleção, foram orientadas quanto aos procedimentos a serem realizados e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE). As voluntárias foram avaliadas em dois momentos, sendo pré e pós-intervenção com as técnicas da DLM e Massagem modeladora, por um avaliador cego, que não sabia qual procedimento o voluntário seria submetido e permaneceu fora da sala durante a intervenção. Foi utilizada uma ficha de avaliação fisioterapêutica, composta por identificação, anamnese, exame físico e questionário sobre a sensação nos membros inferiores.
Foi realizada a perimetria dos membros para determinar o volume. A perimetria de coxa e perna foi realizada com a voluntária em ortostatismo, com medições a cada 7 cm e 21 cm a partir da linha poplítea, com três níveis de coxa (Coxa 1, Coxa 2 e Coxa 3), quatro níveis de perna (Perna 1, Perna 2, Perna 3 e Perna 4) e o perímetro do tornozelo foi realizado com o voluntário em decúbito dorsal, de forma que o tornozelo permanecesse em posição neutra, totalizando 8 níveis de perimetria. Foi realizada a perimetria utilizando uma fita métrica da marca Fiber®.
A avaliação seguinte foi por meio do equipamento de bioimpedância multifrequencial modelo S10 da marca InBody, onde foi observada a massa magra corporal, percentual de gordura corporal e a água extracelular nas regiões de membro inferior esquerdo, direito e tronco das voluntárias. Por fim foi realizada uma análise do biotipo e das alterações posturais de forma qualitativa.
O questionário sobre a sensação dos membros inferiores foi adaptado pelos autores deste estudo com base no artigo de Alves et al. (2020)15. Era composto por quatro questões, sendo três repetidas nas avaliações pré e pós-intervenção, para que a voluntária explicasse a sensação nas pernas. A questão 1 era: “Explique a sensação de suas pernas com apenas uma palavra:”, não havia opções de resposta e a voluntária poderia usar qualquer palavra que achasse que se referiria. As questões 2 e 3 foram: “Você sente suas pernas pesadas?” e “Devido ao peso que sente, está cansado de caminhar?”, respectivamente, para ambos a voluntária deveria responder “sim” ou “não”, caso sua resposta fosse “sim”, deveria pontuar em uma Escala Visual Numérica (VNS) de 0 (zero), sendo “leve” ou “sem fadiga”, a 10 (dez), “muito pesado” ou “muito cansado”, respectivamente. A questão 4 foi diferente nos momentos de avaliações, estando na pré-intervenção: “Com que frequência você sente as pernas cansadas?”, com as seguintes opções de resposta: “nunca”, “frequentemente”, “às vezes” e “sempre”; já no pós-intervenção: “Escolha uma palavra que defina a sensação de membros inferiores:”, com as opções: “leve”, “pouca leveza”, “normal”, “pesado” e “outro” (a voluntária diria uma palavra para se adequar à sua sensação nos membros inferiores).
Para o protocolo de intervenção, as voluntárias foram divididas igualmente em dois grupos de 20 pacientes. O G1 realizou a técnica da drenagem linfática manual (10 min divididos em 5 por cada membro inferior), iniciando na região proximal coxa até a extremidade distal do pé, retornando em seguida a região inicial, sempre com movimentos de deslizamentos curtos e centrípetos (de até 30cm), suaves (com pressões de 20 à 30 mmHg), enquanto o G2 realizou a técnica de massagem clássica estética, composta apenas por deslizamento superficial, deslizamento profundo e amassamento também por 10 min. (5 min. em cada membro, sendo 2,5 min na face anterior e 2,5 min na face posterior), ambas nos membros inferiores, no sentido distal-proximal, iniciando nos pés indo em direção à região proximal das coxas, com pressões que variavam de 10 à 200mmHg, frequência aproximada de 1 movimento a cada 5 segundos, utilizando creme neutro, sem provocar dor e apenas leve hiperemia. Foi realizada apenas uma sessão, e as voluntárias foram avaliadas antes e após a intervenção, com a repetição de todos os procedimentos citados e fotos.
Ao final as voluntárias responderam aos questionários adaptados de análise de satisfação do paciente, Segot-chicq et al. (2007)16 e a escala Global Aesthetic Improvement Scale – GAIS, de Narins (2003)17, que é utilizada para classificação de resposta aos tratamentos, permitindo uma avaliação comparativa em diferentes momentos após a intervenção terapêutica.
As voluntárias foram atendidas em ambulatório de tratamento fisioterapêutico dermatofuncional estruturado adequadamente para o estudo proposto, contendo
sistema de refrigeração ambiental apropriado e boas condições de higiene e iluminação, de acordo com o que prevê as normas da Vigilância Sanitária local,
na Faculdade Inspirar Campus Borba Gato, São Paulo.
Os dados coletados foram tabulados e posteriormente analisados pelo software estatístico “GraphPad Prism 7”. A análise estatística foi procedida pela aplicação do teste Shapiro-Wilk para verificação da normalidade. Os dados que se demonstraram paramétricos passaram pela análise de variância de duas vias (two-way ANOVA) seguido do teste de Tukey, enquanto as variáveis que se demonstrarem não paramétricas passaram pelo teste de Kruskal-Wallis, seguido do teste de Dunn. Em todos os cálculos foi fixado um nível crítico de p<0,05 para significância estatística.
RESULTADOS
A figura 1 apresenta a sequência de gráficos com os resultados dos valores antropométricos e bioimpedância observados em cada grupo da pesquisa comparando as médias de cada grupo entre o momento da avaliação antes e depois das intervenções. Pode-se perceber que não existe diferença significativa entre as variáveis do grupo.

Figura 1: Resultados da análise da bioimpedância e antropométrica dos voluntários
A tabela 1 apresenta a análise das medidas de perimetria a 7 e 21 cm, no momento inicial e final entre os grupos drenagem e massagem.
Tabela 1- Análise comparativa entre as medidas de perimetrias do grupo drenagem e massagem
| Drenagem | Massagem | p valor | |
|---|---|---|---|
| 7 cm inicial | 36,7±3,0 | 35,78±3,99 | 0,96 |
| 7 cm final | 36,8±3,0 | 35,53±3,54 | 0,91 |
| p valor | 0,99 | 0,75 | |
| 21 cm inicial | 55,69±6,6 | 54,23±4,74 | 0,81 |
| 21 cm final | 55,75±7,0 | 53,56±4,85 | 0,52 |
| p valor | 0,99 | 0,25 | Column 4 Value 6 |
Na análise da perimetria não foi observada diferença significativa em nenhuma das comparações analisadas pré e pós-intervenções intragrupo e pré e pós-intervenções intergrupos (inicial e final), tanto no ponto 7cm, quanto no ponto 21cm.
Na análise dos questionários sobre a sensação dos membros inferiores. Pode-se perceber que 67% das voluntárias que realizaram drenagem relataram sentir as pernas “mais leves”, enquanto 33% das que realizaram massagem clássica estética relataram sentir as pernas “mais leves”. Sobre a análise das pernas pesadas para caminhar, 42% relataram “está melhor” após a drenagem e 33% “melhor” após a massagem.
Na análise dos questionários de satisfação e reações adversas pode-se observar que em relação às respostas dos voluntários, não foi relatada a presença de marcas na pele, não ocorreram queixas de dor ou alteração de sensibilidade, logo após a aplicação, não houve relatos de equimoses/ hematomas. Na análise das roupas folgadas pode-se observar que 33% dos voluntários do grupo drenagem relataram ter roupas folgadas. Cerca de 67% do grupo massagem clássica relatou ter roupas folgadas.
DISCUSSÃO
Este estudo objetivou primeiramente analisar a segurança das técnicas aplicadas, pois de acordo com Tacani; Tacani; Liebano (2011)13; Ernst (2003)18 as técnicas manuais não estão isentas de riscos e complicações, e pode-se observar durante e após os procedimentos, em ambos os grupos, ausência total de efeitos adversos tais como dor equimoses, agravamento de telangiectasias, flacidez cutânea e quaisquer relatos sugestivos de tais.(13), (18)
Também foi objeto de investigação deste estudo comparar a eficácia da drenagem linfática manual versus a massagem clássica estética para a redução do edema em membros inferiores do grupo de mulheres saudáveis aqui selecionado.
De acordo com a figura 1 não foi observada nenhuma alteração significativa na composição corporal das mulheres da amostra como o peso, a massa magra, a massa adiposa, proteínas, minerais e gordura corporal com apenas um atendimento e análise imediata.
Conforme apontado na tabela 1 também não foi observada diferença significativa de redução perimétrica tanto no grupo drenagem como no grupo massagem nos pontos mensurados. Isto pode ser explicado pelo fato da amostra selecionada de indivíduos em ambos os grupos apresentarem “queixa de edema” e não necessariamente a condição de edema clínico, não sensível ao exame de perimetria (Liu et al, 2021)19, e estes achados corroboram exatamente com os resultados de alguns estudos que analisaram individualmente os efeitos da drenagem linfática manual e da massagem clássica estética na perimetria de indivíduos saudáveis, similares a este estudo.
Alves et al. 2020 15 analisaram os efeitos imediatos da drenagem linfática manual no volume e na sensação dos membros inferiores de mulheres saudáveis de 40 mulheres saudáveis com idade (18 e 44 anos) e IMC (18,5-29,9 Kg/m2) os quais foram submetidas a uma única sessão de drenagem linfática manual nos membros inferiores também sem diferença estatística na perimetria, porém foi relatada diminuição na “sensação de peso” nos membros inferiores em 97% e no “cansaço para caminhar” em 100% da amostra em contrapartida dos 67% do grupo drenagem linfática manual deste estudo. Esta diferença pode ser explicada pelo tempo de aplicação ser bem menor neste estudo (10min versus 40min) e, possivelmente, também pela escolha do método de DLM ter sido diferente entre os estudos.
Outra possível explicação para a melhora da “leveza” das pernas sem modificação significativa da perimetria contorna os achados de Crisóstomo et al. (2014)20 que analisaram 41 indivíduos (idade média: 42,68 anos), sendo 23 portadores de doença venosa crônica (grupo doença venosa crônica) com classificação clínica C1-5 de clínico-etiológico-anatômico-patológico (CEAP) e 18 indivíduos saudáveis (grupo controle) submetidos a drenagem linfática manual (manobras de chamada e reabsorção – Método Leduc) aplicada aleatoriamente na face medial da coxa. As áreas transversais, bem como o pico e a velocidade média do fluxo sanguíneo na veia femoral e na veia safena magna, foram avaliados por ultrassonografia duplex no início e durante as manobras. Verificou-se aumento da hemodinâmica nas veias femoral e safena magna tanto em indivíduos com doença venosa como nos saudáveis. Esta redução da estase venosa na magnitude destas veias mesmo em indivíduos saudáveis, pode produzir sensação de leveza.
Os leitores podem questionar quanto a segurança hemodinâmica desta técnica, já que o deslocamento de sangue venoso de forma abrupta pode afetar as variáveis hemodinâmicas como Pressão Arterial (PA) e Frequência Cardíaca (FC), durante e imediatamente após uma sessão de DLM. Ramos et al. 2015 não encontraram alterações da PA Sistólica, da PA Diastólica e a FC após 10 minutos de repouso inicial, em 23 voluntárias jovens e saudáveis com idade média de 22 ± 2,97 anos (18-29), concluindo que durante uma sessão de DLM neste perfil de amostra, não ocorrem alterações hemodinâmicas importantes, demonstrando que essa técnica é segura do ponto de vista cardiovascular. (21)
Em outro estudo foi analisado o efeito da massagem clássica estética na perimetria do abdome, quadril e coxas e pela estimativa da espessura da tela subcutânea da parede abdominal (ETS) por ultrassonografia em oito voluntárias (idade 33,9±8,9 anos, peso 65,1±8,4 kg). Foram efetuadas 12 sessões de massagem clássica estética em coxas, glúteos e abdome por 30 minutos, três vezes por semana. Foi encontrada redução significativa apenas da perimetria na região do quadril e sem alterar outras medidas de coxas e nem a espessura da tela subcutânea da região abdominal Tacani et al. 2010. (22)
Em nosso estudo não avaliamos a perimetria do quadril, mas de acordo com os resultados deste estudo de Tacani et al (2010)22, é possível explicar o resultado aqui obtido em relação ao relato de “roupas folgadas” de 67% do grupo massagem versus 33% do grupo drenagem.
A massagem é comumente usada como terapia complementar para muitas condições diferentes e não apenas para a redução de edemas. Quando aplicada em um único membro, a massagem aumenta o fluxo microcirculatório da pele não apenas localmente, mas o effleurage (deslizamento) evoca consistentemente um aumento significativo da perfusão no membro massageado, também visível no membro contralateral (não significativo). O fator de orientação da aplicação no sentido distal-proximal mostra alterações perfusionais mais pronunciadas (MonteiroRodrigues et al. 2020). (23)
A massagem de pressão moderada contribui para muitos efeitos positivos, incluindo redução da dor em diferentes síndromes, incluindo fibromialgia e artrite reumatóide, maior atenção, redução da depressão e melhora da função imunológica. (24)
Quando a massagem de pressão moderada e leve foi comparada em estudos de laboratório, a massagem de pressão moderada reduziu a depressão, a ansiedade e a frequência cardíaca, e alterou os padrões de EEG, como numa resposta de relaxamento. A massagem de pressão moderada também pode levar ao aumento da atividade vagal e à diminuição dos níveis de cortisol. Dados funcionais de ressonância magnética sugeriram que a massagem de pressão moderada estava representada em diversas regiões do cérebro, incluindo a amígdala, o hipotálamo e o córtex cingulado anterior, todas áreas envolvidas na regulação do estresse e da emoção (Field, 2014). (24)
Bayrakci Tunay et al. (2010)25 avaliaram e compararam em 60 indivíduos divididos em 3 grupos de 20, por um período de 5 semanas e atendimentos de 3 à 4 vezes semanais, a eficácia da massagem mecânica (Dermotonia), da drenagem linfática manual (DLM) e manobras de massagem do tecido conjuntivo (MTC) na massa adiposa e espessura do tecido subcutâneo da coxa, verificando uma redução média de 0,5cm em todos os grupos e embora não tenhamos como comparar este bombardeio de estímulos com nosso estudo, podem corroborar com o resultado de que ambas as técnicas promovem satisfação nas pacientes.
Embora ambos os tratamentos possam ser eficazes na redução do edema, é importante considerar as características individuais de cada paciente, a gravidade do edema, o tempo de mobilização de líquidos podem estar associados a efetividade das técnicas de drenagem e massagem (26), (27).
Importante frisar que em indivíduos que apresentem edemas clínicos e especialmente de caráter crônico, a melhor indicação continua sendo a técnica de Drenagem Linfática Manual aliada a fisioterapia complexa descongestiva, que na amostra deste estudo apresentou predomínio de efeitos de “leveza” nas pernas, embora também seja apontado pela literatura outras indicaçõese efeitos da DLM relacionados ao SNC e a redução do stress (27).
De acordo com os resultados e os apontamentos da literatura, a massagem clássica estética apresentou predomínio de efeitos na redução de medidas corporais, especialmente no quadril e abdome, traduzida pela sensação relatada de “roupas folgadas”.
Deve-se notar, no entanto, que as percepções identificadas aqui podem ser subjetivas e podem variar entre os indivíduos (28), (29).
Observa-se como limitações desse estudo a realização de apenas uma intervenção, bem como a análise de uma resposta imediata, sugerindo-se novos estudos com um maior número de sessões e de avaliações dos resultados a serem observados.
CONCLUSÃO
O presente estudo investigou os efeitos da drenagem linfática e da massagem clássica estética na redução do edema, na sensação de leveza das pernas e na satisfação dos pacientes.
Ambas as técnicas nos parâmetros usados são seguras, bem toleradas e não causam efeitos adversos. Apesar de não terem sido observadas diferenças estatisticamente significativas da perimetria na amostra estudada de uma única aplicação e análise imediata, conclui-se que ambas as técnicas geram alta satisfação nas pacientes, sendo a Drenagem Linfática Manual mais indicada para promover sensação de “leveza” e a Massagem Clássica Estética (nos parâmetros utilizados) para produzir sensação de “roupas folgadas” (redução de medidas no quadril).
Obs: Os autores declaram não apresentar conflito de interesse.
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Recebido em 02/01/2024
Revisado em 10/01/2024
Aceito em 12/02/2024

